7.2.10
Para a árvore mãe
6.12.09
Breve Retorno na Picareta Cultural de 2009
Ao meu irmão Vitinho
Foste um cometa
de brilho, luz e força
inesquecíveis.
Em 23 anos
vivestes tudo:
a alegria de ser criança
e brincar o dia com liberdade
conheceu o amor em família
pai, mãe, irmãos, primos, tios
e a cada dia um novo amigo
sempre reunidos
em sorrisos e brindes
em volta da mesa
também chorou
a mais pura lágrima
na tristeza e na saudade
da perda
e sempre soube fugir
da agonia da cidade
para respirar e sentir
a paz da natureza
acampou, surfou, esquiou
atravessou desertos,
montanhas de neve,
se abençoou em Machu Pichu
teve a alegria de ver
o seu time de coração campeão
num Maraca lotado
verde, branco e grená
conheceu e intensamente viveu
todo o prazer do grande amor
único, eterno, verdadeiro e inesquecível
fez pelo mundo
uma imensidão de amigos
aprendeu, ensinou,
compartilhou tudo o que sabia
fez valer a cada momento
o sabor da palavra VIDA
e partiu antes de todos
para esta grande e misteriosa viagem
fez cada um se aprofundar
neste sentimento chamado saudade
e em mim plantou a certeza
da existência
na eternidade.
Rodolfo Muanis, Junho de 2009.
5.3.09
Estaremos sempre juntos irmão!
Eu somente passei para o outro lado do caminho
Eu sou eu, vocês são vocês
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo
Dêem-me o nome que vocês sempre me deram
Falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rirmos juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo,
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora dos seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe,
Apenas estou do outro lado do Caminho.
Você que ficou aí, siga em frente,
A vida continua,
Linda e bela como sempre foi."
Santo Agostinho
11.10.08
Este blog saiu de férias
me pediu em segredo
que queria
um pouco de aconchego
aqui pelos papéis de casa
em cartas e palavras
e até pequenos sarais
exclusivos para minha amada.
Preciso lapidar
o que a caneta
Aprimorar na poesia
entender seu motivo.
O que está por aqui
fica de presente
para ser lido.
O que vem por aí
lapido com carinho
para quem sabe
8.10.08
inéditos XXIV
Eu ainda prefiro
a camisa de malha promocional
ou aquela de bloco do carnaval passado
meu jeans surrado e confortável
meu sapato tão usado
e ‘carregado de distâncias’.
Não me critique
se pego os meus 100 do bolso
e compro uma boa garrafa de vinho
e continuo vestindo a moda
de alguns anos atrás.
Prefiro o corpo
por dentro aquecido
a cabeça iluminada de idéias
e o sangue circulando livre pelas artérias
ao invés
de uma capa engomada
e um julgamento pré-concebido
daquilo que o homem pode ser.
Não é pelo meu manequim
que você vai me conhecer.
Se quiseres saber de mim
é melhor abrir aquela garrafa
e brindar comigo pela madrugada.
Aí sim vai sair encantada!
E nunca mais se iludirás
com um homem de terno e gravata.
21.9.08
canções que tocam no meu ipod (I)
Vitor Ramil
Vento
Quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior
Alma
De flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor
Vento
Que varre os segundos
Prum canto do mundo
Que fundo não tem
Leva
Um beijo perdido
Um verso bandido
Um sonho refém
Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar
Vento
Que dança nas praças
Que quebra as vidraças
Do interior
Alma
Que arrasta correntes
Que força os batentes
Que zomba da dor
Vento
Que joga na mala
Os móveis da sala
E a sala também
Leva
Um beijo bandido
Um verso perdido
Um sonho refém
Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar
Vitor Ramil e Marcos Suzano no disco Satolep Sambatown
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Dia cinza
frio e chuva
pedalei
passei a Baía
pouso de lindo poema
passei o Aterro
chão do primeiro tombo
passei a Marina
morada de antigos sonhos
passei o MAM
residência do silêncio
cheguei ao aeroporto
na rampa aviões decolavam
pássaros de ferro desafiando a tempestade
e voltei
uma água de coco
uma canção sobre o vento
que soprou aqui por dentro
Dolfo, 21 de Setembro de 2008.
11.9.08
Poemas que habitam a minha memória (I)
de Martinho Santafé
Às vezes, era o Rio Paraíba do Sul
que desmesuradamente crescia.
E as ruas ficavam cheias de escorpiões,
cobras d´água, lacraias com mil pernas...
parecia um monstro epiléptico e barrento
numa corrida maluca até o mar.
A gente torcia para que o rio subisse mais,
cada vez mais,
para que alguma tragédia
se consumasse, como no cinema.
Queríamos ver casas desabando,
árvores arrancadas à força,
as meninas, descalças,
impedidas de ir à missa dominical,
bêbados patinando no caos,
arrastados até a foz de Atafona,
numa infinita poça de lama e cuspe
que mandávamos para o céu.
Estávamos prenhes de vida
e queríamos a morte de mentirinha.
Sonhávamos com o apocalipse doméstico,
com a bomba asfixiando nossos pré-sonhos.
O primeiro amor estava ao lado,
nas aulas do Liceu
que, às vezes,
assassinávamos com delicado prazer.
No verão de 66,
o rio ficou irado de verdade,
se emputeceu, invadiu o baú
onde eu guardava meus gibis
trocados antes das matinês do Cine Coliseu.
Adeus minha coleçãotão preciosamente inútil
de David Crocket, Buffalo Bill, Zorro,
Rock Lane, Cavaleiro Negro e etc.
E me lembro dessa grande enchente,
da aniquilação dos pessegueiros,
das parreiras, dos limoeiros, dos frangos,
da horta que minha avó tão bem cuidava.
Abius, mangueiras, bananeiras,
caramboleiras, formigas,
tudo se foi com o rio,
com essa referência geográfica
e conceitual que ainda hoje tento traduzir.
Tudo se foi com o boi morto
no meio da correnteza,
coberto de urubus.
E no radinho de pilha de s´eu Bertolino
(que, em uma canoa, ajudava as famílias
a recolherem seus pertences),
os Beatles cantavam “I wanna hold your hand”.
Comecei a crescer com os Beatles
(e eles comigo),
a respeitar o rio e a temer s´eu Leleno,
meu vizinho e flamenguista doente,
que nas tardes de domingo,
quando o seu time perdia,
enfiava a porrada na Dorotéia,
sua mulher - e maior torcedora do Flamengo,
por motivos amplamente justificados.
Também havia a Josete,
que ajudou a me descriar
e que tinha um namorado chamado Jomar,
um refinado sem vergonha.
Em 62, o Brasil foi bi-campeão
e Josete imaginava
Jomar fazendo gols nela.
Se Josete gozava, o fazia discretamente,
como os anjos gozam. No silêncio.
Josete, que hoje é avó,
era filha de Neco Felipe,
um negro caolho e feliz,
que organizava os forrós
em Conselheiro Josino,
interior de Campos dos Goytacazes.
Forrós animados com cachaça, lampiões,
sanfona e alguma voz desdentada,
uivando para a Lua, nas quentes madrugadas.
Além de Neco Felipe,
conheci outras pessoas felizes
que moravam naquela vila
no verdadeiro cú do mundo,
entranhada na miséria e nos canaviais
(os dois sempre andaram juntos),
com um cemitério
na beira da estrada.
Minha cabeça
se embaralhou toda:
- como é que as pessoas
podiam ser felizes
em Conselheiro Josino?
Como é que as pessoas
podiam ser felizes
naquela merda,
ao lado de um cemitério mambembe,
perto de um rio carregando tudo?
Como é que as pessoas
podiam ser ?
Mas as pessoas
eram
e algumas até se
foram.
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Me lembro do impacto de quando ouvi este poema a primeira vez. Era o IV FestCampos de Poesia Falada, onde eu apresentava um poema, e estava lá o próprio Martinho Santafé, poeta de Macaé, que recitou esta pérola. Ele havia ganhado o mesmo festival no ano anterior com este poema. Agora, em meu novo trabalho, o rio que carregava tudo, novamente se colocou diante de mim. E vai ser bom poder fazer algo de bom pelas pessoas que serão, pelas que são, e até pelas que já se foram.
8.9.08
inéditos XXIII
Na noite passada
enquanto nos amávamos
variando as posições do Kama Sutra sobre o lençol...
Tive a vontade de ser escultor.
Para talhar
em ferro, bronze, ouro, prata, madeira
a delicadeza feroz do nosso amor.
Deixar exposto às intempéries,
eternizado em praças,
ruas, museus, casas,
a perfeição de nossos encaixes.
Transformar esta vida
estes momentos de puro gozo
em arte.
Aos falsos doutores da Academia
28.8.08
inéditos XXII
nenhuma palavra
ou melhor
apenas uma
(eita)
no peito uma dor
suave dor
brisa na espinha
o dia segue
é preciso sorrir
fingir que tudo está bem
ir para a aula
conversar em família
ler teorias
na noite penso nela
seguro os dedos
para não ligar
sinto-a bem
forte e sorrindo
sinto o seu brilho
de longe, distante
não sou dele o motivo
já fui
revejo nossas fotos
nelas há felicidade
que num belo momento
se dissipou, e em mim
virou saudade
não sei
onde guardar meu amor
dolorido e machucado
pelo silêncio
nunca mais cartas
nunca mais mensagens
nunca mais ela sorrindo
me chamando de moço lindo
fiquei mal acostumado
com teu tom de desejo
de paixão embalando o peito
ela não me quer mais
e isso dói fundo
pois o amor ainda é muito
mas
sinto-a bem
forte e sorrindo
sinto o seu brilho
de longe, distante
não sou dele o motivo
irei me curar
entre batuques
esta cidade
e o mar
amanhã cedo
começo a renascer
21.8.08
O dia em que quase morri (VI)
um médico chega
- o que houve?
- me fecharam na estrada
ele olha as radiografias e diz:
- você nasceu de novo
- só quebrou a clavícula
- mas e essa dor no peito doutor?
- eu não consigo respirar
- isto é dá pancada
- você está todo inchado por dentro
- vai doer quando tossir, rir e respirar
- mas depois vai melhorar
- você consegue andar?
levanto da maca e caminho com dificuldade
- vá a sala de gesso imobilizar esta clavícula
- depois limpe os ferimentos e está liberado
19.8.08
O dia em que quase morri (V)
- chegamos!
saio da ambulância em uma maca
luzes
pessoas
luzes
pessoas
luzes
pessoas
sou deixado em uma sala
de luzes apagadas
onde ao fundo
uma mulher grita
o médico da ambulância fala:
- acidente de moto
- mas ele está bem
- só sofreu uma lesão de tórax
continuo respirando lentamente
e com muita dor
o telefone toca
atendo
- sofri um acidente
- mas estou bem
- no hospital de Itaboraí
- e esse aqui?
- leva pro raio-x!
luzes
pessoas
luzes
pessoas
luzes
pessoas
1, 2, 3
meus ossos soltos
batucam entre a maca
e o raio-x
luzes
pessoas
luzes
pessoas
luzes
pessoas
agora estou num corredor
chegam dois patrulheiros
- o que houve?
- me fecharam, um carro branco...
- a pessoa foi presa
- responderá por tentativa de homicídio
- você terá que ir na delegacia depor
- sua moto e documentos estão na PRF de Rio Bonito
18.8.08
O dia em que quase morri (IV)
- sente as pernas, movimenta os braços?
- tudo ok. só dói aqui no peito,
- lado esquerdo
- não consigo respirar
me imobilizam todo
1, 2, 3
me colocam na maca
sinto os ossos soltos por dentro
me colocam na ambulância.
me dão uma máscara com oxigênio
a porta se fecha,
mas a ambulância não sai
pessoas discutem lá fora
a porta se abre
uma pessoa entra e fala:
- guarda meu nome
- Sargento Alves
- do Corpo de Bombeiros de Cabo Frio
- eu vinha atrás de você na estrada
- eu vi tudo. prendi o cara lá na frente
ele me entrega um papel
com nome e telefone
e coloca no meu bolso
ele sai
a porta se fecha,
mas a ambulância não sai
a dor é forte, o ar e pouco, a agonia imensa
a porta se abre e alguém grita:
- me perdoa! me perdoa!
faço sinal de positivo
eu só quero ficar vivo
a porta se fecha
a ambulância começa a andar
a cada sacolejo muita dor
16.8.08
O dia em que quase morri (III)
uma mulher nervosa fala:
- nossa, aqui é foda.
- é um trecho deserto da br 101
um rapaz fala:
- a ambulância sai de Itaboraí
- deve levar uns 10, 15 minutos
o sol do meio-dia
é luz forte no azul.
iluminando meu rosto
não é a luz do infinito
é só o sol
ainda não é o meu fim
sinto vontade de chorar
penso na minha família
na minha amada querida
não posso morrer
não quero morrer
rezo
alguém me pergunta como foi
- um carro me fechou
muita dor para falar
respiro lentamente
e me concentro
em ficar vivo
chega a ambulâncias dos bombeiros
14.8.08
O dia em que quase morri (II)
deito na grama ao lado da estrada
tento respirar bem devagar
muita dor
penso:
- devo estar todo furado por dentro
- hemorragia interna
- em breve vira o sangue pela boca
- o corpo frio. a morte
- Deus não me deixe morrer!
saco o celular do bolso
digito 1 9
chegam pessoas
- ele está vivo
- está respirando
- abre a jaqueta dele
- sente dor em algum lugar?
- só no peito
- lado esquerdo
- não consigo respirar
penso:
- só tenho um pulmão
- o direito
- vou com ele até o fim
começo a rezar
uma mulher grita:
- ele está tremendo!
- ele está gelado!
penso:
- se meu coração parar eles saberão me reanimar?
rezo
puxo e solto o ar
lentamente
muita dor
profunda dor no peito
bem perto do coração
12.8.08
O dia em que quase morri (I)
céu azul
estrada tranqüila
veículos se aproximando no retrovisor
(fechada)
céu
asfalto
céu
asfalto
céu
asfalto
corpo rolando
pelo matagal da estrada
moto caída no acostamento
20 metros da minha direção
fico em pé
tiro o capacete
movimento braços e pernas
tudo ok
- não acredito. não quebrei nada?
coração a mil por hora
puxo o ar
profunda dor no peito
não consigo respirar
30.7.08
Flip 2008! Poetas pelas ruas de Paraty! Parte 3
inaugural
cerveja cachaça
e muita gente
fazendo do barato
um momento sensacional
festa democrática
num off-flip de Paraty
era chegar sorrir e curtir
Caio Carmacho
piracicabano
do sorriso fácil
e copo cheio
paratyando
já alguns anos
Poeta e agitador cultural
acima de todos os conchavos
montou palco nas ruelas de pedra
para os desconhecidos se conhecerem
para todos perceberem
que a literatura
que a música
estão acima de ter que ser oficial
basta ser sincera e original
para irrigar a festa
o encontro
a paquera
e celebrar
o que a gente sempre quis
ser livre e feliz
Rodolfo Muanis, Julho de 2008.
13.7.08
Flip 2008! Poetas pelas ruas de Paraty! Parte 2
de olhar triste e sorriso fácil
Poeta urbano suburbano
Solitário pardal paulistano
Sobrevivendo em floresta cinza
Pousado em puleiro sujo
Observando bolhas de aço
carregando gente
Pelo orkut, de volta a Sampa, Baffo me mandou este
São Paulo
é uma calamidade.
Eu disse chuva
inundou a cidade.
Lá por Paraty eu fiz esse pra ele
Tu
é um poeta
de guarda-chuva
Eu
ainda me molho
Giovani é poeta pra valer, da poesia viva e fácil, de sorriso largo e coração grande, com guarda-chuva aberto para a amizade.
Pra fechar mais um dele
Vá mulher, alçar altos vôos
no imenso e multicolor mundo seu...
deixe-me rastejar na tacanhez
do opaco mundo meu.
Vá mulher, pode partir sem culpa e com calma
esqueça o poeta que lhe entregou a alma.
E esse mesmo poeta se cala
e vai dormir sem saber,
se o amor ajuda ou atrapalha
(Giovani Baffo - Paraty 2008)
Eu acho que só ajuda vêio. É só não driblar a trave e sair com bola e tudo. : )
Abraços!
3.7.08
Flip 2008!

20.6.08
Convite nas Coxas!
Não fomos convidados pra festa
mas como bons penetras
estaremos por lá pra comemorar.
Primeira Picareta Cultura de Paraty
E só chegar, confraternizar e curtir.
Não tá sabendo?
Clica aqui
http://www.melhorquenostemos.blogspot.com/
